💔 Divórcio: peculiaridades, fundamentos e passo a passo para obtê-lo.
O fim de um casamento não precisa ser o começo de um conflito
Quando um casamento chega ao fim, o primeiro sentimento é confusão: “Por onde eu começo?” ou “Preciso mesmo de um advogado?”.
A resposta é simples: sim, o advogado é indispensável.
Ele orienta, protege e formaliza cada passo, evitando erros que podem custar caro no futuro. O divórcio, embora pareça apenas o rompimento de um vínculo, é um ato jurídico sério, que exige segurança, clareza e cuidado.
🧭 1. Entendendo o que é o divórcio
O divórcio é o instrumento legal que dissolve o casamento civil, encerrando os deveres conjugais e liberando as partes para reconstruírem suas vidas.
De acordo com Carlos Roberto Gonçalves e Maria Helena Diniz, trata-se de um direito de liberdade pessoal, que não depende do consentimento do outro cônjuge.
A Constituição Federal, no artigo 226, garante o direito de se divorciar sem culpa e sem prazos.
Em resumo:
Ninguém precisa justificar o motivo do divórcio.
Não existe mais “culpado”.
Cada pessoa tem o direito de recomeçar.
⚖️ 2. Tipos de divórcio
Divórcio extrajudicial (em cartório)
Pode ser feito diretamente no cartório, de forma rápida e simples, desde que:
não haja filhos menores ou incapazes;
as partes estejam de acordo com tudo (bens, nome e eventuais alimentos);
haja presença de advogado para orientar e assinar a escritura.
Divórcio judicial
É obrigatório quando há filhos menores, desacordo sobre partilha, pensão, visitas ou uso do nome.
Nesse caso, o juiz decide as questões em audiência, ouvindo as partes e o Ministério Público.
Mesmo assim, o advogado é essencial para conduzir o processo e defender seus direitos.
🏛️ 3. O que o advogado faz no divórcio
O advogado não serve apenas para “assinar papéis”.
Ele:
– traduz os termos jurídicos;
– garante que os bens sejam corretamente partilhados;
– assegura o direito aos filhos e a justa pensão;
– evita cláusulas confusas que geram brigas futuras;
– acompanha o cumprimento da sentença ou escritura.
Em palavras simples: o advogado protege você juridicamente enquanto o emocional ainda está fragilizado.
📑 4. Passo a passo prático para o divórcio
1. Consulta inicial e escolha do tipo
O advogado analisa a situação: há filhos menores? há consenso? há bens a dividir?
Se há acordo e todos os filhos são maiores, o caminho é o cartório.
Se há filhos menores ou divergência, o caminho é o Judiciário.
2. Reunir documentos
Tenha em mãos:
– Documentos pessoais (RG, CPF, certidão de casamento recente).
– Certidões de nascimento dos filhos.
– Documentos de imóveis, veículos e contas.
– Comprovantes de renda, despesas e dívidas.
Esses papéis definem o que será partilhado, o valor dos alimentos e como ficará a guarda.
3. Definir os termos do divórcio
Com o advogado, defina:
– Quem ficará com qual bem (ou o valor a ser pago pela parte de um).
– Se haverá pensão entre os ex-cônjuges.
– Quem ficará com a guarda e como será a convivência com os filhos.
– Se alguém manterá o nome de casado.
– Como e quando cada obrigação será cumprida.
Tudo deve ser claro e escrito — o que não está no papel, a Justiça não reconhece.
4. Partilha de bens
O regime de bens define o que é de cada um:
– Comunhão parcial: divide-se o que foi adquirido depois do casamento.
– Comunhão universal: divide-se quase tudo.
– Separação: cada um fica com o que é seu.
O advogado ajuda a calcular e formalizar essa partilha com segurança.
5. Filhos, guarda e pensão
O juiz sempre busca o melhor interesse da criança.
Normalmente, a guarda é compartilhada, e os pais definem um calendário de convivência equilibrado.
A pensão deve garantir moradia, alimentação, saúde, escola e lazer, sem exageros, mas também sem descuido.
6. Averbação do divórcio
Depois da sentença (ou escritura no cartório), o advogado orienta a averbação no Registro Civil — é o que torna o divórcio oficial.
A partir daí, o ex-casal pode atualizar documentos, contratos e cadastros.
💡 7. Dicas importantes
Evite conflitos: um acordo justo é melhor do que uma briga longa.
Pense nos filhos: o divórcio é dos pais, não das crianças.
Consulte sempre um advogado: ele garante que tudo ocorra dentro da lei.
Não assine nada sem entender: o impulso pode gerar prejuízos sérios.
Planeje o pós-divórcio: partilhas, contas, nomes e registros precisam ser atualizados.
❤️ Conclusão: o divórcio é um recomeço, não um fim
O divórcio não é sinônimo de fracasso.
Como ensinam Flávio Tartuce e Maria Helena Diniz, ele representa a reafirmação da dignidade e da autonomia — o direito de ser feliz, livre de vínculos que não cumprem mais sua função afetiva.
Buscar orientação jurídica é um gesto de maturidade, não de fraqueza.
O advogado atua como guia e escudo, garantindo que cada decisão seja justa, legal e equilibrada.
Em um momento delicado, a informação certa e a orientação adequada transformam o fim de um casamento em um recomeço de vida com segurança e paz.
📚 Referências
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro – Família.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro – Família.
TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil.
VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil – Família.
GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil – Família.
GOMES, Orlando. Direito de Família.
MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil – Família.